Homofobia, a lei.
Jornal do Brasil / 24-05-2007
Olavo de Carvalho
Filósofo e Escritor
"Ilustres senhores parlamentares: Vossas Excelências podem votar, se
quiserem, essa porcaria de lei que proíbe criticar o homossexualismo.
Podem votá-la até por unanimidade. Podem votá-la sob os aplausos da
Presidência da República, da ONU, do Foro de São Paulo, de George
Soros, das fundações internacionais bilionárias, do Jô Soares, do
beautiful inteiro.
Não vou cumpri-la. Não vou cumpri-la nem hoje, nem amanhã, nem nunca.
Por princípio, não cumpro leis que me proíbam de criticar ou elogiar o
que quer que seja. Nem as que me ordenem fazê-lo.
Não creio que haja, entre os céus e a terra, nada que mereça imunidade
a priori contra a possibilidade de críticas. Nem reis, nem papas, nem
santos, nem sábios, nem profetas reivindicaram jamais um privilégio
tão alto. Nem os faraós, nem Júlio César, nem Átila, o huno, nem
Gengis Khan ambicionaram tão excelsa prerrogativa. O próprio Deus,
quando Jó lhe atirou as recriminações mais medonhas, não tapou a boca
do profeta. Ouviu tudo pacientemente e depois respondeu. As únicas
criaturas que tentaram vetar de antemão toda crítica possível foram
Adolf Hitler, Josef Stálin, Mao-Tse-Tung e Pol-Pot. Só o que
conseguiram com isso foi descer abaixo da animalidade, igualar-se a
vampiros e demônios, tornar-se alvos da repulsa universal.
Nada é incriticável. Quanto mais o simples gostinho que algumas
pessoas têm de fazer certas coisas na cama.
Nunca na minha vida parei para pensar se havia algo de errado no
homossexualismo. Agora estou começando a desconfiar que há. Nenhuma
coisa certa, nenhuma coisa boa, nenhuma coisa limpa necessita se
esconder por trás de uma lei hedionda que criminaliza opiniões. Quem
está de boa intenção recebe críticas sem medo, porque sabe que é capaz
de respondê-las no campo da razão, talvez até de humilhar o adversário
com a prova da sua ignorância e má-fé. Só quem sabe que está errado
precisa se proteger dos críticos com uma armadura jurídica que aliás o
desmascara mais do que nenhum deles jamais poderia fazê-lo. Só quem
não tem o que responder pode pedir socorro ao aparato repressivo do
Estado para fugir da discussão. E quanto mais se esconde, mais põe sua
fraqueza à mostra.
Sim, senhores. Nunca, ao longo dos séculos, alguém rebaixou, humilhou,
desmascarou e escarneceu da comunidade gay como Vossas Excelências
estão em vias de fazer.
As pessoas podem ter acusado os homossexuais de fingidos, de
ridículos, de tarados, de pecadores. Ninguém jamais os qualificou de
tiranos, de nazistas, de inimigos da liberdade, de opressores da
espécie humana. Vossas Excelências vão dar a eles, numa só canetada,
todas essas lindas qualidades.
Depois não reclamem quando aqueles a quem essa lei estúpida jura
proteger se tornarem objeto de temor e ódio gerais, como acontece a
todos os que tomam de seus desafetos o direito à palavra.
Quem, aprovada a PLC 122/06, se sentirá à vontade para conversar com
pessoas que podem mandá-lo para a cadeia à primeira palavrinha
desagradável? Os homossexuais nunca foram discriminados como dizem que
o são*. Graças a Vossas Excelências, serão evitados como a peste".
*Não concordo
sábado, 7 de novembro de 2009
domingo, 6 de setembro de 2009
.Nua e crua.

Falar de como Eduardo Coutinho tem me proporcionado momentos de prazer não vai ser tão difícil. Quem conhece o roteirista-diretor, sabe que ele é mestre em falar com propriedade sobre a nossa vida e a vida das pessoas que nos cercam. E faz isso sem querer, querendo. Na última semana assisti seu último filme, Moscou, na telona do aconchegante Cinema da Fundação. Para quem gosta de teatro, o filme é particularmente espetacular. A escolha do grupo mineiro Galpão, de talento indiscutível, revela, metalinguísticamente, as minúcias do teatro realista. Um teatro bem feito.
No entanto, caros amigos, não é sobre a sua última obra que vim contar. Indicado por uns e outros me propus a assistir o comentado Jogo de Cena, longa do mesmo autor, lançado em 2007. Se utilizando da mesma metalinguagem Coutinho prende a atenção não apenas daqueles apaixonados por teatro ou cinema. Para se emocionar com o documentário basta ter os pulmões cheios de ar - ou seja, estar vivo.
Assim como em Edifício Master (2002), o cineasta entra na nossa casa sem pedir licença e vasculha nossos sentimentos. Na tensão de não saber quem fala a verdade, quem é "atriz" e quem é "gente normal", em quem eu posso acreditar e, de repente, me entregar, me render, e me comover com aquela narrativa, chega a um ponto em que ninguém mais quer saber de desvendar o jogo. Marília Pêra me conta a mesma história que uma anônima e ambas mexem comigo da mesma forma. Nesse momento, desistir é ser corajoso. É olhar e perceber que tudo aquilo ali é a mais pura realidade, nua e crua. Interpretada ou não, com cristal chinês ou não. É verdade.
terça-feira, 25 de agosto de 2009
.Lara.

Chegou. A felicidade é grande. Tanta, que supera o medo de vê-la tão pequena, indefesa, inocente, entrar "de cabeça" nesse quadro amedrontador que nem os grandes suportam mais. Então, pode ser isso. Ela veio pra mexer, abalar, não só fazer diferente, mas principalmente, tornar diferente. Não sei como ela vai fazer, mas as fichas já estão apostadas.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
.O Sentido.
Interessante...a pessoa se propõe a escrever num blog, se não diariamente, ao menos semanalmente. Uma coisa tão simples, mas que às vezes quando eu penso em faze-lo, me cai mais como uma tortura. E de tortura eu tô cheia. Escrava de mim mesma, dos meus próprios sonhos. Eles que eram para me fazer voar mais alto, não bater asas com força, esforço...mas voar sem sentir, quase que flutuando.
Tô fazendo tudo errado. Os sonhos eram para servir de escape. As obrigações, para serem cumpridas sem trazerem malefícios...ao corpo, à mente. Tô fazendo tudo errado. É assim, quando corremos atrás do que nós julgamos por importante para nós mesmos, ou pior, corremos atrás do que é importante para os outros, acabamos trocando os pés pelas mãos. Mãos e pés que não sabemos a que destiná-los, para que servem? Como ela sempre diz, e quase sempre tem razão: ligamos no piloto automático e seguimos em frente, atropelando tudo, passando por cima do que é realmente valioso e sem querer nem olhar para trás, para não se machucar...ou ver a besteira que estamos fazendo.
Tudo errado. To que nem aquela historinha dos Xilingos que aquela amiga de verdade me contou. Naquela noite eu queria que ela falasse daquilo pra sempre, pra ver se, de uma vez por todas, a lição entrava na cabeça, coração, poros, e finalmente eu dava um jeito. Mas uma hora de historinha não serviu de muita coisa. Nem a doença. Pode ser que ela não sirva também. Queria que Jesus abrisse meu entendimento. Me amarrase numa camisa de força. Atasse os pés e as mãos, porque aí não teria como trocá-los. Ele me levaria para onde quisesse...e eu prometo que não ia me queixar. Prometo.
Intimidade...é disso que eu preciso. Pelo menos desse jeito posso tentar chegar lá. Logo eu, que sempre prezei pela leveza do ser, do espírito. Sempre preferi um sorriso aberto à sobrancelhas em forma de interrogação. Não sei qual é a fórmula mágica...quem souber, por favor tenta me ensinar, anda junto de mim, segura na minha mão. Na verdade, só Ele sabe. Os outros também andam tropeçando tanto, se jogando em paradas que não fazem o menor sentido. É disso que a gente precisa. Do sentido. Só Ele pode dizer...
saudade de vocês, de mim, de mim, com Ele.
Tô fazendo tudo errado. Os sonhos eram para servir de escape. As obrigações, para serem cumpridas sem trazerem malefícios...ao corpo, à mente. Tô fazendo tudo errado. É assim, quando corremos atrás do que nós julgamos por importante para nós mesmos, ou pior, corremos atrás do que é importante para os outros, acabamos trocando os pés pelas mãos. Mãos e pés que não sabemos a que destiná-los, para que servem? Como ela sempre diz, e quase sempre tem razão: ligamos no piloto automático e seguimos em frente, atropelando tudo, passando por cima do que é realmente valioso e sem querer nem olhar para trás, para não se machucar...ou ver a besteira que estamos fazendo.
Tudo errado. To que nem aquela historinha dos Xilingos que aquela amiga de verdade me contou. Naquela noite eu queria que ela falasse daquilo pra sempre, pra ver se, de uma vez por todas, a lição entrava na cabeça, coração, poros, e finalmente eu dava um jeito. Mas uma hora de historinha não serviu de muita coisa. Nem a doença. Pode ser que ela não sirva também. Queria que Jesus abrisse meu entendimento. Me amarrase numa camisa de força. Atasse os pés e as mãos, porque aí não teria como trocá-los. Ele me levaria para onde quisesse...e eu prometo que não ia me queixar. Prometo.
Intimidade...é disso que eu preciso. Pelo menos desse jeito posso tentar chegar lá. Logo eu, que sempre prezei pela leveza do ser, do espírito. Sempre preferi um sorriso aberto à sobrancelhas em forma de interrogação. Não sei qual é a fórmula mágica...quem souber, por favor tenta me ensinar, anda junto de mim, segura na minha mão. Na verdade, só Ele sabe. Os outros também andam tropeçando tanto, se jogando em paradas que não fazem o menor sentido. É disso que a gente precisa. Do sentido. Só Ele pode dizer...
saudade de vocês, de mim, de mim, com Ele.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
.Romance.

Sem sombras de dúvida, o filme que mais foi companheiro da minha vontade de largar tudo e viver em cima dos palcos. Sim, é um filme, mas com jeito, som, cheiro e toque de teatro. Quando li a primeira vez sobre o longa, me animei toda pra estar na estréia. Primeiro, a direção e texto de Guel Arraes (Auto da Compadecida, Lisbela e o Prisioneiro, etc.) depois o auxílio de Jorge Furtadoe a produção de Paula Lavigne.
Wagner Moura, Letícia Sabatella, Andréia Beltrão, Vladmir Brichta, José Wilker, Marco Nanini, Bruno Garcia e Tonico Pereira. Não poderia existir melhor elenco para compor cada cena de Romance. Cada um dá um show de interpretação (literalmente) e mostram pra todo mundo que nasceram para atuar.
Romance é poesia do começo ao fim. Poesia no texto, cenário, figurino, e nunca vi sexo mais poético do que o que foi representado por Wagner e Letícia. O filme mistura televisão, cinema e teatro numa trama sensível, delicada, dramática e muito, muito profunda. Fugindo da maioria dos trabalhos cômicos que Guel Arraes está acostumado a fazer.
Parabéns pela ousadia. Recomendadíssimo. É daqueles pra se ter em casa.
Att,
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
.174's.

Olá amigos, como estão? Espero que bem, como eu estou hoje. Só com um pouco de cólica, mas é uma parada normal pra mulher. Quero compartilhar com vocês o meu sentimento de tristeza e mesmo pena pelo que aconteceu esses dias. O caso de Eloá e Nayara com certeza com certeza foi o fato que mais me marcou essa semana. Muito menos a mim, do que pra mãe e familiares daquelas meninas e daquele rapaz.
Como todos, eu não esperava nunca que aquele "sequestro doméstico" teria o desfecho que teve. Acho que a maioria dos crimes como este aqui no Brasil, não resulta em nada disso. Os criminosos que conseguem a proeza de fazerem reféns dentro de residências, geralmente entregam suas vítimas ilesas por terem se cansado depois de tantas negociações, ameaças, tréguas, pressões, etc. Não foi o caso. Lindenberg reagiu de um forma inesperada, surpreendendo toda a sociedade brasileira.
Um caso puxa o outro e meu "gancho" (influências jornalísticas) de hoje foi esse pra falar sobre o filme que vai estrear aqui em Recife na próxima sexta-feira (24), Última parada 174. Outra história de violência que terminou com tragédia, e morte de quem não merecia. Aí você me pergunta: como você vai falar sobre algo que você não viu? Aí eu respondo: é verdade.
Na realidade, eu tô super ansiosa pra ver esse filme. A curiosidade é oriunda da minha experiência em ter assitido o documentário Ônibus 174. Com direção de José Padilha, o mesmo cineasta responsável pelo premiado Tropa de Elite, o documentário Ônibus 174 é, disparado, uma das melhores produções audiovisuais que já vi na minha trajetória por esse mundo. Pra começar, nada mais verassímil que um documentário para contar quase que exatamente o que aconteceu naquele dia.
Não quero entrar no mérito de erros policiais, ou na discussão de se os bandidos são o fruto da sociedade atual, ou não. Indico esse trabalho de Padilha para que vocês assistam antes de ver o longa, que pelo visto, de acordo com as críticas, dá uma idéia romântica do causo. Ônibus 174 mostra em pouco tempo, um panorama de toda uma sociedade, abordando o fato por parte de todos os envolvidos: sequestrador, reféns, polícia, e descaso social. Vale a pena conferir!
Depois eu dou as minhas impressões sobre o filme, que pretendo assitir na poltrona do novo cinema do Plaza, que por sinal, é muito aconchegante. Ficadica.
Att,
Como todos, eu não esperava nunca que aquele "sequestro doméstico" teria o desfecho que teve. Acho que a maioria dos crimes como este aqui no Brasil, não resulta em nada disso. Os criminosos que conseguem a proeza de fazerem reféns dentro de residências, geralmente entregam suas vítimas ilesas por terem se cansado depois de tantas negociações, ameaças, tréguas, pressões, etc. Não foi o caso. Lindenberg reagiu de um forma inesperada, surpreendendo toda a sociedade brasileira.
Um caso puxa o outro e meu "gancho" (influências jornalísticas) de hoje foi esse pra falar sobre o filme que vai estrear aqui em Recife na próxima sexta-feira (24), Última parada 174. Outra história de violência que terminou com tragédia, e morte de quem não merecia. Aí você me pergunta: como você vai falar sobre algo que você não viu? Aí eu respondo: é verdade.
Na realidade, eu tô super ansiosa pra ver esse filme. A curiosidade é oriunda da minha experiência em ter assitido o documentário Ônibus 174. Com direção de José Padilha, o mesmo cineasta responsável pelo premiado Tropa de Elite, o documentário Ônibus 174 é, disparado, uma das melhores produções audiovisuais que já vi na minha trajetória por esse mundo. Pra começar, nada mais verassímil que um documentário para contar quase que exatamente o que aconteceu naquele dia.
Não quero entrar no mérito de erros policiais, ou na discussão de se os bandidos são o fruto da sociedade atual, ou não. Indico esse trabalho de Padilha para que vocês assistam antes de ver o longa, que pelo visto, de acordo com as críticas, dá uma idéia romântica do causo. Ônibus 174 mostra em pouco tempo, um panorama de toda uma sociedade, abordando o fato por parte de todos os envolvidos: sequestrador, reféns, polícia, e descaso social. Vale a pena conferir!
Depois eu dou as minhas impressões sobre o filme, que pretendo assitir na poltrona do novo cinema do Plaza, que por sinal, é muito aconchegante. Ficadica.
Att,
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